Quase dois meses que terminei meu namoro, não sei quanto tempo ele durou. Talvez numa luta, os guerreiros, de tanto pelejarem, se esqueçam do tempo ou talvez não se importem. Foi assim o meu relacionamento, eu lutei muito pra dar certo, desde o primeiro momento em que me vi apaixonada. Fomos os primeiros um do outro, nos descobrimos, quando penso nisso tudo parece mais difícil e obscuro para seguir em frente, agora sozinha. Terminamos. Vez ou outra ainda me pego lembrando do exato momento em que ele saiu pela porta da minha casa sem dizer ao menos uma palavra, apenas me olhou, me deu um beijo seco e foi, e seguiu, eu fiquei. Estou aqui, agora sim eu não esqueço do tempo, penso nele todo dia, pois um dia a menos é uma lembrança a mais esquecida. Já é raro pensar nos momentos vividos entre eu e o ser-que-já-se-foi, as memórias são restringidas aos momentos ruins - a saída dele pela minha porta, o início de um temporal de choro e desespero. Agora só lembro de que ele partiu e seguiu. Vivo nas memórias de futuros ruins, de conviver vendo cada passo dele com outra pessoa que não seja eu, de ver como ele foi e alçou vôos distantes. Eu, aquariana, fiquei presa à terra, não tive asas grandes para alçar o meu arrebatamento. Fiquei presa à terra, como se fosse uma taurina feito ele, como se ainda vivesse sob seu espectro. Não sei se ainda o amo, talvez o amor fosse pouco, já estava se esgotando, gota à gota, mas o sentimento de perda me corrói, luto contra um grande inimigo: o meu apego - às vezes ganho, mas na maioria da vezes sofro por perder. O ser-que-já-se-foi me dedicou amor, suei muito para tê-lo, porém este ser, muitas vezes, me tratou como matéria submissa e eu consenti. No final, ele me amou e eu o amei, mas a última gota dele se acabou e a minha ainda resta, em forma de lágrima, só não sei se de amor ou insistência.
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