domingo, 17 de janeiro de 2016

CARTAS PARA MIM


Menina,


Toma tento na vida! Não percebe que o tempo se esvai das tuas mãos? A efemeridade das coisas é algo cruel, eu sei, mas você precisa reagir. Se o destino te quita a vida, assim como já fez com pessoas que você nutria apreço, o que restará? Lamentar-se é importante, mas perceba uma coisa: existem mil outras coisas, não se prenda a apenas um ponto que, por agora, precisa ser deixado de lado. Mostre para si o quão inteligente você pode ser, procure quem te faz bem, tente dominar as notas musicais que regem tua vida, já basta tantas coisas que saem do nosso controle, agarre aquilo que te dar força para ser maior. SEJA FORTE!!!!!! Dance, continue dançando, e quando essa enxurrada de lamúria te afundar novamente, lembre-se que você estará rodeada de boias. 


Me procure sempre, pois será nessas horas que você se encontrará mais. 


Ass: A outra menina, mas a mesma. 
CARTA PARA VOCÊ





Preciso escrever sobre a mesma coisa. Necessito dizer que ando vivendo, me desgastando com cada acordar, mas valendo do amor que sinto pelos meus e que me é retribuído. A tua ausência ainda persegue meu caminhar, pois todo esforço que me proponho é para a minha felicidade de hoje, porém, no amanhã, eu já não sei mais se conseguirei viver sob alguma perspectiva para além das lembranças do que fomos nós. Tais recordações se tornam desfocadas, distantes, tua falta já é algo sem precedentes. A tua falta está comigo, como se ela já existisse antes de mesmo de um dia ter te conhecido. Por aqui secou tudo, igual ao nosso sertão, surge a vontade de chorar, mas as lagrimas são escassas, não consigo prolongá-las. Peço ao universo, rogo fervorosamente que me livre de vez do peso da tua ausência, assim como encontraste a leveza que tanto procurara. Eu sei que fui um peso de amor em tua vida, mas já passou, já fui. Agora, tu, antes peso de amor, tornaste peso de tudo aquilo que nunca mais vamos ser. 






quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Incrivelmente eu ando sobrevivendo. Entretanto, quando o coração dói, tendemos a enxergar apenas o nosso próprio sofrimento, como se dentro de nós partissem gritos de desespero, ficamos surdos aos apelos dos outros. Quase cinco meses sentindo o peso da ausência daquele que partiu de mim. No entanto, como num princípio evolutivo, ei-me aqui, mesmo que com ombros e costas desgastados.

sábado, 12 de setembro de 2015

Sobre perder-se. O mundo passa por mim, porém eu não sinto, pois a minha dor me sufoca. Nem sempre é assim, às vezes eu consigo respirar serenamente, consigo sentir a maravilha que me rodeia em forma de amigos, tento de forma bem sucedida viver sem o peso da ausência. Outros dias ocorre o inverso, como hoje, em que meu coração encontra-se no mais profundo estado de cansaço. Sinto toda minha vida (re)significada de uma forma que machuca, que me faz derramar as mais sinceras lágrimas.  Eu perdi algo imensurável, a minha paz de espírito, vivo agora a procurar e me desespero a cada frustração. Porque eu não posso fugir? Porque eu não posso escapar? Porque, junto a dor, precisa vir o martírio? Já não bastam as lágrimas? Deus, Universo, me ajudem. 

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

Quase dois meses que terminei meu namoro, não sei quanto tempo ele durou. Talvez numa luta, os guerreiros, de tanto pelejarem, se esqueçam do tempo ou talvez não se importem. Foi assim o meu relacionamento, eu lutei muito pra dar certo, desde o primeiro momento em que me vi apaixonada. Fomos os primeiros um do outro, nos descobrimos, quando penso nisso tudo parece mais difícil e obscuro para seguir em frente, agora sozinha. Terminamos. Vez ou outra ainda me pego lembrando do exato momento em que ele saiu pela porta da minha casa sem dizer ao menos uma palavra, apenas me olhou, me deu um beijo seco e foi, e seguiu, eu fiquei. Estou aqui, agora sim eu não esqueço do tempo, penso nele todo dia, pois um dia a menos é uma lembrança a mais esquecida. Já é raro pensar nos momentos vividos entre eu e o ser-que-já-se-foi, as memórias são restringidas aos momentos ruins - a saída dele pela minha porta, o início de um temporal de choro e desespero. Agora só lembro de que ele partiu e seguiu. Vivo nas memórias de futuros ruins, de conviver vendo cada passo dele com outra pessoa que não seja eu, de ver como ele foi e alçou vôos distantes. Eu, aquariana, fiquei presa à terra, não tive asas grandes para alçar o meu arrebatamento. Fiquei presa à terra, como se fosse uma taurina feito ele, como se ainda vivesse sob seu espectro. Não sei se ainda o amo, talvez o amor fosse pouco, já estava se esgotando, gota à gota, mas o sentimento de perda me corrói, luto contra um grande inimigo: o meu apego - às vezes ganho, mas na maioria da vezes sofro por perder. O ser-que-já-se-foi me dedicou amor, suei muito para tê-lo, porém este ser, muitas vezes, me tratou como matéria submissa e eu consenti. No final, ele me amou e eu o amei, mas a última gota dele se acabou e a minha ainda resta, em forma de lágrima, só não sei se de amor ou insistência.